Dr. Fernando Tai — Cirurgião-Dentista
O uso das chamadas canetas emagrecedoras e de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 tem crescido nos últimos anos. Apesar de a halitose não estar entre os efeitos adversos mais conhecidos desses medicamentos, algumas alterações provocadas durante o tratamento podem contribuir para o aparecimento ou agravamento do mau hálito.
Sim. O uso de peptídeos e medicamentos relacionados ao GLP-1 pode diminuir a velocidade da motilidade gástrica, fazendo com que o processo de digestão dos alimentos seja mais lento.
Esse maior tempo de digestão pode favorecer processos de fermentação e a produção de gases e compostos como mercaptanas e sulfeto de hidrogênio, que apresentam odores desagradáveis e característicos. Isso pode contribuir tanto para episódios de halitose quanto para eructações, popularmente conhecidas como arrotos.
Fatores como redução da alimentação, jejum prolongado, desidratação, náuseas e refluxo podem aumentar o risco de alterações na microbiota bucal.
Essas situações podem favorecer uma disbiose oral, alterando o equilíbrio entre os microrganismos presentes naturalmente na boca e aumentando proporcionalmente a presença de determinadas bactérias anaeróbicas.
Essas bactérias estão diretamente relacionadas à decomposição de resíduos orgânicos e à produção de compostos voláteis responsáveis pelo mau odor, podendo favorecer ou agravar quadros de halitose.
Sim. A grande maioria dos casos de halitose apresenta origem bucal e não estomacal. Alterações da flora bacteriana oral, presença de saburra lingual, redução do fluxo salivar, higiene inadequada e outros hábitos podem ter grande influência sobre o aparecimento do mau hálito.
Medicamentos, uso inadequado de enxaguantes bucais, tabagismo, consumo de álcool, hábitos de higiene deficientes e determinadas doenças também podem alterar o equilíbrio da microbiota da boca.
Problemas provenientes exclusivamente do estômago representam uma parcela muito menor dos casos. Por isso, é importante que o paciente procure inicialmente uma avaliação profissional para identificar corretamente a origem da halitose.
A hidratação adequada é fundamental. O consumo regular de água auxilia na manutenção da produção de saliva, ajuda na limpeza natural da cavidade oral e pode colaborar para reduzir o acúmulo de saburra na língua.
A higiene dos dentes e da língua também é essencial para a remoção de resíduos alimentares e para o controle da quantidade de bactérias presentes na boca.
Escovas elétricas ou manuais utilizadas corretamente, dentifrícios adequados, fio dental, raspadores de língua e enxaguantes bucais, quando corretamente indicados, podem fazer parte de uma rotina eficiente de prevenção e manutenção da saúde bucal.
O farmacêutico pode orientar sobre itens destinados à higiene bucal, como escovas de dentes, fio dental, raspadores de língua e produtos destinados à higiene e hidratação da cavidade oral.
Escovas elétricas também podem contribuir para uma higienização eficiente quando utilizadas corretamente. Entre os produtos disponíveis existem ainda dentifrícios com diferentes formulações e soluções para higiene bucal contendo ingredientes como zinco, melaleuca e outros componentes.
Entretanto, é importante considerar as necessidades individuais de cada paciente e, diante de halitose persistente ou de outros sintomas, recomendar avaliação com um cirurgião-dentista.
Sempre que o mau hálito se tornar persistente ou recorrente é recomendável procurar avaliação profissional. O principal objetivo é identificar corretamente sua causa e evitar que algum problema de saúde permaneça sem diagnóstico.
Costumo dizer aos meus pacientes que é melhor cuidar da saúde antes que seja necessário tratar a doença. A prevenção e o diagnóstico precoce são fundamentais para preservar a saúde e normalmente tornam os tratamentos mais simples.
O acompanhamento multiprofissional e integrativo é muito importante, principalmente quando o paciente está passando por tratamentos que provocam alterações metabólicas, alimentares ou gastrointestinais.
A comunicação entre médico, cirurgião-dentista, nutricionista e outros profissionais envolvidos permite compreender o paciente de maneira mais ampla, reduzir riscos e proporcionar um acompanhamento preventivo e corretivo mais adequado.
Minha principal orientação é procurar um profissional de saúde de confiança e com experiência para realizar o diagnóstico correto.
Identificar a causa da halitose é fundamental, porque um tratamento escolhido a partir de um diagnóstico incorreto poderá não resolver o problema.
Costumo dizer aos meus pacientes: não procure apenas um profissional de saúde; procure o profissional de saúde em quem você confie e que possa acompanhar corretamente o seu caso.
Dr. Fernando Tai
Cirurgião-Dentista Integrativo
Especialista em Ozonioterapia, Odontologia Integrativa,
Odontologia Preventiva e Clínica Geral
Entrevista concedida para a Revista Guia da Farmácia, para o Suplemento Especial Canetas Emagrecedoras 2026.
Invisalign e ortodontia
(11) 3151-5600